A Implementação do BIM no seu Projeto de Construção

Você já ouviu falar no sistema BIM (Building Information Modeling)? Ele representa o que existe de mais moderno quando o assunto é armazenamento e compartilhamento de dados referentes a um projeto.


Muito se tem falado sobre essa nova forma de fazer projetos e como ela transforma a indústria da construção, e muitas também são as dúvidas que vem no processo de adaptação a um novo método. Atualizar-se para trabalhar em BIM acarreta em grandes mudanças de cultura de trabalho, adoção de novos softwares, atualização da equipe, etc.


1. BIM e a evolução no modo de projetar


O BIM é mais do que a mera evolução do desenho, é um novo jeito de abordar o planejamento de empreendimentos. A princípio, todo o desenho era feito à mão, até que os computadores atualizaram esse processo. Primeiramente, abandonou-se a prancheta e passou-se a projetar em 2D em softwares CAD (desenho assistido por computador em Português), aí surgiram o 3D e as maquetes eletrônicas com modelos renderizados. Agora, a última novidade nesse processo é o BIM e os softwares que adotam esse conceito, como o Revit, o ArchiCad ou o Bentley.


Portanto o primeiro passo para a implementação do BIM no seu projeto, é a modelagem 3D do projeto.


Esse processo de modelagem em terceira dimensão deve ser feito de forma integrada com todas as partes envolvidas no projeto, como os profissionais de engenharia, arquitetura e instalações. Isso garante que o modelo será desenvolvido de modo rápido e eficiente, obedecendo a todas as especificações do projeto original. Em um software que aplique o conceito, vários profissionais podem trabalhar no mesmo projeto no mesmo arquivo, adicionando os dados que competem à sua especialidade e vendo as atualizações no modelo em tempo real.



2. Níveis de detalhamento em BIM


2.1. - Conceito LOD


O BIM permite mais do que apenas 03 dimensões. O 4D, 5D, 5D e 7D já são realidades deste conceito. Há ainda projetos com dimensões 8D e 9D. Cada uma destas outras dimensões estão relacionadas a informações como planejamento da execução, custo, orçamento e planejamento e até a operação do modelo em BIM.


Obviamente, para atingir estas outras dimensões, o modelo em BIM precisa de um maior desenvolvimento e detalhamento.

O Level of Developement, ou traduzindo, Nível de Desenvolvimento, é o conceito que vai de 100 a 500 e funciona como uma régua para determinar o nível de BIM em que se está trabalhando.


Modelar em LOD 100 significa estar em BIM em um nível de Estudo Preliminar, onde as soluções técnicas não foram amplamente definidas,detalhadas, testadas e aprovadas. Como exemplo, pensemos uma parede. Para verificar interferências de um projeto, podemos ter simplesmente a forma geométrica e posicionamento da parede definidas. Para poder extrair quantitativos e custos, precisamos modelar as diversas camadas da parede, como o tijolo, reboco, tinta, etc. Esta modelagem em camadas já caracteriza um estágio de LOD mais alto do Modelo.


Quando avançam as etapas, o nível de maturidade do modelo também vai aumentando, agregando cada vez mais informação. Cada dado só deve ser inserido na etapa correspondente para que as informações tenham sentido. Não se começa fazendo um estudo preliminar já com informações de projeto executivo, é algo que vai acontecendo gradativamente. Isso não quer dizer que todas as empresas vão precisar atuar em todos os níveis de LOD. Esses níveis de detalhamento, ou LODs, estão diretamente conectados aos conceitos de 4D, 5D, 6D, 7D e até mesmo 8D e 9D.


2.2. - 4D - Planejamento


O próximo passo do projeto BIM é inserir a variável tempo no projeto tridimensional do empreendimento, ou seja, considerar todas as etapas necessárias para a desenvolvimento do projeto em função do tempo, pois dentro do modelo, dá para separar os elementos de acordo com a sua etapa construtiva. O BIM 4D associa o modelo tridimensional ao cronograma para que se possa ter uma visão da evolução da obra e identificar qualquer tipo de ameaça aos cumprimentos dos prazos estabelecidos no planejamento. Aliado com uma ferramenta de planejamento, como o MS Project, o Primavera e outros softwares de planejamento, consegue-se integrar tudo isso e chegar num 5D, que seria a etapa de custos.


2.3. - 5D - Orçamentação


A quinta dimensão tratada no BIM 5D diz respeito à adição da variável de custo às informações do projeto. Com os quantitativos de material necessário e o tempo previsto para a conclusão é possível prever todos os gastos demandados por cada operação e o material empregado na obra. Esses cálculos podem ser feitos com base nos dados e informações associadas, vinculadas a componentes específicos dentro do modelo gráfico. Tais dados permitem que os orçamentistas extraiam com maior facilidade as quantidades de um determinado componente, alcançando assim, com maior precisão, o custo geral para o desenvolvimento de um projeto. 


2.4. - 6D - Sustentabilidade


O BIM 6D se trata da inserção de dados de análise de eficiência energética e sua principal função é melhorar o desempenho e eficiência do uso de materiais, ambiente, clima e outras variáveis. Os dados extraídos nessa dimensão podem incluir informações sobre o fabricante, cronogramas de manutenção, detalhes de como o item deve ser configurado e operado para se obter um  desempenho ideal, vida útil esperada e dados de desativação. É possível tomar melhores decisões, por exemplo, em ativos com vida útil mais longa e com maior sentido econômico. Com esse nível de dados em um modelo, você pode planejar as atividades de manutenção com bastante antecedência. 

Nem sempre é fácil adaptar esse conceito a um tipo de design sustentável, especialmente em termos de inovação, pois projetar de maneira sustentável impacta em grande monta nos aspectos de qualidade e custos. A adoção de uma metodologia que exija planejamento de processos e gerenciamento de obra permitirá que os processos analíticos envolvidos na avaliação da sustentabilidade de um edifício tenham um desempenho melhor. 


2.5. - 7D - Gestão e Manutenção


A dimensão 7D é uma abordagem única, na qual tudo relacionado ao processo de gerenciamento de instalações é agrupado em um único local no modelo de informações da construção. Essa tática ajuda a melhorar a qualidade da prestação de serviços durante todo o ciclo de vida de um projeto. O uso do 7D BIM garante que tudo em um projeto permaneça em sua melhor forma desde o primeiro dia até à demolição de uma estrutura. Aqui o gestor poderá utilizar as métricas para o controle de manutenção e ciclo de vida da edificação, tomando ações reativas a qualquer inconformidade encontrada. Tendo como base de conhecimento o banco de dados integrado e os modelos desenvolvidos.


2.6. - 8D - Segurança


A oitava dimensão (8D) no modelo BIM diz respeito à segurança e prevenção de acidentes e, segundo Imriyas Kamardeen (2010), consiste em três tarefas: determinar os riscos no modelo, promover sugestões de segurança para perfis de alto risco e propor controle de riscos e de segurança do trabalho na obra para os perfis de riscos incontroláveis. A Segurança do Trabalho seria a dimensão 8D, pois um modelo projetado em BIM pode oferecer informações suficientes para que se possa identificar diversos problemas relacionados à segurança do trabalho antecipadamente.


2.7 - 9D - Lean Construction


BIM 9D lean construction visa minimizar o desperdício e agregar valor ao produto final, sem diminuir a produtividade nos canteiros de obras. Mas para falar sobre Lean Construction eu sugiro ler esse post: https://www.almiranteengenharia.com/post/lean-construction


Vantagens de trabalhar com projetos em BIM:


Ajuda no cumprimento das datas estipuladas no cronograma de obra;

Oportunidade de testar soluções previamente;

Modelo atualizado em tempo real;

Intercâmbio de informações entre profissionais;

Um único arquivo reúne todas as etapas de uma construção em um só modelo;

Diminuição de erros de dados;

Compatibilização de projetos: evita erros de projeto;

Através da inserção do cronograma os problemas são previamente visualizados no modelo tridimensional e corrigidos antes mesmo que possam surgir no campo, evitando atrasos e desperdícios.




Para aplicar todos estes conceitos e adaptar a empresa a um novo modo de projetar, é preciso de um profissional que tenha o domínio de toda a técnica, dos softwares e dos processos.


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